Sensações

 Sensações








Em minha infância, algumas atividade me eram muito prazeirosas, das quais tenho ótimas lembranças. Me lembro que eu adorava ir no clube com minha família e ficar horas e horas na piscina, nadando, brincando, sentindo, mesmo que no início estivesse gelada, a vontade de estar lá dentro era maior do que o frio. Também gostava muito de dançar, participar dos ensaios e dos festivais de dança. Adorava ler, desenhar, pintar, brincar com outras crianças ou mesmo sozinha com minhas bonecas,  ir a parques, shoppings, festas, ver coisas e lugares bonitos e comer coisas que eu achava gostosas. A medida em que crescia, essas atividade foram deixando de acontecer, comecei a ter outras necessidades e a trabalhar. Fui conhecendo diferentes pessoas e realidades, me tornei adulta e acabei “me esquecendo” do quanto eu me conectava com certas coisas na infância, que na vida adulta já não estava conseguindo mais. Como ficar curtindo uma piscina por bastante tempo, sem me preocupar com a hora ou preferindo ficar tomando sol com fones de ouvido, ligada em coisas externas ou fazendo questão de fazer fotos para postar em redes sociais; deixando de sentir o momento por mais tempo e com mais intensidade. Percebo que as crianças são capazes de entrar muito mais nas sensações do que os adultos. 

Recentemente (estou com 42 anos e 4 meses enquanto escrevo este texto), tive uma experiência muito especial; estava sozinha em um fim de semana em meu pequenino apartamento, no sábado trabalhei, estudei e fiz algumas atividades domésticas. No domingo, ainda tendo diversas atividades de casa, trabalho, compras, estudos e planejamento semanal; decidi ir até a piscina do condomínio e ficar lá um pouco e depois continuar “fazendo minhas coisas”. Coisas que os adultos acham que são sempre mais importantes do que vivenciar Sensações. Enfim, deixei minhas coisas na cadeira e fui direto para a água; entrei de uma vez porque a temperatura estava deliciosa. Fiquei sentada recebendo jatos de água, com fones de ouvido; para não perder o costume... mas algo surpreendente aconteceu. Consegui aquietar ali, deixar o fone e o celular de lado e ficar mais e mais, sentindo, relaxando, nadando, me exercitando um pouco, pensando naquele momento mágico em um domingo lindo, não só pelo sol, mas pela apreciação de minhas sensações. Agradeci muito por ter resgatado algo tão simples e tão mágico da infância, que é a vontade de ficar mais tempo sentindo coisas boas e alegres. Após me permitir esse tempo, fui almoçar, pensando em retornar mais tarde, coisa que não fiz, pois já estava envolvida novamente nas minhas tarefas. Mas as lembranças foram maravilhosas e eu tive a clara percepção do quanto eu me bloqueava para sensações por causa da ansiedade e das preocupações. Encontrei uma maneira de me reconectar com essa essência leve e criativa, mas certamente existem muitas outras que podem ser redentoras para você. É só começar e fazer aquilo que você gostava na infância e havia se esquecido. A intensão não é torná-la infantilizada ou irresponsável, muito pelo contrário. É fazer com que você perceba que precisa se desconectar um pouco do mundo lá fora e olhar para o seu momento. Mergulhar nas sensações também é uma forma de meditar sem esforço, sem nenhuma regra ou técnica.


“Quando nos permitimos perceber profundamente nossas sensações físicas e emocionais, um universo de possibilidade se abre. Cabendo a nós escolhermos experiências que verdadeiramente trazem prazer e bem-estar.”


Muitas vezes abrimos mão de sentir algo para evitar o sofrimento ou até mesmo o prazer. Sim, é possível que as atividades que provocam sensações de prazer sejam evitadas porque pode haver uma resistência interna a se sentir bem, como se não fossemos merecedores de tal sensação, podemos até achar lá no fundo, que algo muito bom pode ser ruim ou trazer alguma frustração.


A ansiedade é a principal sabotadora das boas sensações, fazendo com que a mente esteja sempre com pressa de logo fazer outra coisa; seja ela prazeirosa ou não, mas algo que justifique a maneira como nós fugimos do que é verdadeiramente agradável.  Por outro lado, pode ser que sensações vividas anteriormente, sejam elas lembradas ou não por nossa memória consciente, tenham tido um desfecho desagradável, uma experiência ruim posteriormente. Com isso, cada vez que surge a possibilidade de sentir prazer, em seguida chega o medo, a culpa, a desconfiança e a falta de fé nas coisas boas.


Você pode estar pensando: mas eu aproveito a vida, faço atividades quem me dão prazer; saio, “me divirto”, vou a restaurantes, como e bebo coisas gostosas, faço compras, faço sexo, tenho amigos, viajo, assisto filmes e séries, vou ao cinema... etc. Mas será que essas atividades realmente promovem sensações de bem-estar para você ? As aspas no me divirto, é porque o senso de diversão pode ser duvidoso. As pessoas podem achar e dizer que estão se divertindo e tendo prazer, quando na verdade não estão. Simplesmente estão acompanhando uma tendência ou grupo de que determinada coisa é boa. Talvez você nem goste tanto assim de cerveja, mas bebe porque seus amigos adoram, e você para acompanhá-los e não se sentir diferente ou antissocial, acaba acreditando que também gosta da bebida. 


A melhor maneira de descobrir se algo realmente te dá prazer e faz bem, é observar as sensações que a atividade em questão proporcionam e perguntar ao seu Eu Superior ou mesmo ao seu corpo. Diga “Corpo, você sente prazer em fazer isso?”, ou “Eu Superior, essa atividade me faz bem ?”. Respire, se acalme e escute sua voz interior. Esse breve silêncio e auto-observação vai te trazer a clareza necessária para que você faça melhores escolhas para suas sensações. Pode ser que no início, as respostas não cheguem imediatamente como você gostaria, mas ao praticar esse exercício de perguntar e aquietar a mente  vai ampliando sua tranquilidade, discernimento e percepção sensorial.


Quando você se torna consciente do que faz e porquê se submete a algo, um universo de possibilidades se abre em sua vida. Ela fica com mais brilho, vitalidade, energia, alegria e sensações verdadeiramente prazeirosas, que fazem muito bem a você e tornam sua vida mais gostosa e mais feliz.











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